Burnout digital: como o uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode se tornar armadilha e gerar depressão

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Exhausted tired woman working using on laptop holding head in hand sitting in kitchen at home. Young girl studying or working indoors. Freelance business quarantine concept

Imagem Ilustração

O Globo Repórter conversou com médicos, pais e jovens sobre o uso excessivo de aparelhos eletrônicos como computador e celular, e a importância de se desconectar.

tecnologia facilitou a vida das pessoas em todo o mundo. Mas ficar on-line 24 horas por dia, e a necessidade de dar respostas rápidas para demandas diferentes, podem trazer alguns malefícios à saúde.

“Ninguém posta quando come um arroz com ovo, quando acorda descabelada. As pessoas só postam uma vida perfeita, e a pessoa que é insegura, tem baixa autoestima, geralmente, ela acredita em tudo que é postado”, explica Anna Lúcia King, doutora em Saúde Mental do Instituto Delete.

“Ela acha que a vida de todo mundo é maravilhosa e só a dela não é. Isso faz com que, muitas vezes, essa pessoa caia até em depressão”, completa.

A médica vê histórias desse tipo se tornarem cada vez mais frequentes nos atendimentos do Instituto Delete, ligado à Faculdade de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Horas e mais horas no computador ou no celular. O que começa como pesquisa, trabalho ou apenas diversão abre a porta para o estresse – podendo até virar compulsão.

“Fico bastante tempo [nas redes sociais]. Às vezes a gente entra para ver uma coisa e acaba ficando muitas horas lá sem perceber”, conta Yasmin Torres, universitária.

Os relatos são de excesso no uso de celular e do computador. Nem sempre é fácil perceber. Muitas vezes, os próprios pais demoram a enxergar que tem algo de errado com os filhos.

“Está ali no computador, está a salvo, não está na rua, não está correndo risco, está quietinho ali, mas não é assim que funciona. Isso vai causar outro tipo de problema”, afirma Vivian Fernandes, psicóloga e mãe do Gabriel, que usa o computador desde menino.

Foi só na adolescência que a família percebeu o perigo do exagero.

“Começou a atrapalhar muito meus estudos, porque você não tem vontade de fazer outra coisa. Você quer ficar só jogando e jogando. É a primeira coisa que você faz quando acorda, principalmente quando você é mais novo e tem muito tempo”, conta Gabriel Fernandes, administrador financeiro.

Yasmin era totalmente dependente do celular e, quando a internet caía, era motivo para estresse. Alguém interrompendo o uso? Mais estresse.

“Só largava o celular quando estava dormindo. Durante o dia todo, usava”, conta Priscila Almeida Pinto, mãe da estudante.

Como desconectar? 📱

“Não somos contra o uso de tecnologia, queremos que as pessoas façam um uso consciente, porque não tem como, num mundo todo digitalizado para banco, para caixa, para supermercado… Tudo isso é digitalizado, então, a gente não tem como voltar”, conta Anna Lúcia.
A médica também fala sobre a importância do exercício físico para a diminuição do uso intenso dos aparelhos eletrônicos.

“Procurar fazer pausas de uma em uma hora, fazer um alongamento. Você tem que fazer estratégias para levantar. Sempre coloque uma atividade física durante o seu dia”, completa.

Com ajuda da terapia, Gabriel e Yasmin estão aprendendo a romper essas amarras que não fazem bem para ninguém.

FONTE: Globo Repórter

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